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Ciência e Espiritismo: Perspectivas
08/06/2010

Há duas perspectivas, no que se refere à relação da Ciência com a Doutrina Espírita, sobre as quais gostaria de transcrever alguns pensamentos neste texto para reflexão nossa. A primeira delas é o da “cobrança” que muitas vezes ouvimos de companheiros céticos no sentido de demonstrarmos algum grande avanço científico que teria sido notadamente antecipado por obras ou mensagens mediúnicas.  Permita-me então deixar os próprios espíritos responderem à esta questão em pergunta formulada por Kardec em O Livro dos Médiuns (2ª parte, cap. 26, item 294):

Podem os Espíritos guiar os homens nas pesquisas científicas e nas descobertas?

“A ciência é obra do gênio; só pelo trabalho deve ser adquirida, pois só pelo trabalho é que o homem se adianta no seu caminho. Que mérito teria ele, se não lhe fosse preciso mais do que interrogar os Espíritos para saber tudo? A esse preço, qualquer imbecil poderia tornarse sábio. O mesmo se dá com as invenções e descobertas que interessam à indústria. Há ainda uma outra consideração e é que cada coisa tem que vir a seu tempo e quando as idéias estão maduras para a receber. Se o homem dispusesse desse poder, subverteria a ordem das coisas, fazendo que os frutos brotassem antes da estação própria.

“Disse Deus ao homem: tirarás da terra o teu alimento, com o suor do teu rosto. Admirável figura, que pinta a condição em que ele se encontra nesse mundo. Tem que progredir em tudo, pelo esforço no trabalho. Se lhe dessem as coisas inteiramente prontas, de que lhe serviria a inteligência? Seria como o estudante cujos deveres um outro faça.”

Como podemos observar, o espírito comunicante não podia ser mais claro, a evolução individual e coletiva da Humanidade encarnada é sempre responsabilidade nossa, não podemos esperar fórmulas prontas trazidas através dos canais mediúnicos apenas para satisfazer nossa curiosidade, ansiedade ou mesmo nossa preguiça em empreender as tarefas de pesquisa.

A outra perspectiva que gostaria de considerar nesta reflexão é o das pesquisas científicas dentro do movimento espírita.  Há muita crítica, advinda de alguns espíritas, acusando o movimento de privilegiar os aspectos mais ligados à evolução moral do homem. Argumentam eles que a “religiosidade” das nossas práticas, nos fez afastar o movimento do seu aspecto científico que lhe garante autoridade e firmeza na questão da “fé raciocinada”. Deixo-vos novamente com texto bastante esclarecedor de O Livro dos Médiuns (2ª parte, cap 31, item 17) :

“Meus amigos, deixai que vos de um conselho, visto que palmilhais um terreno novo e que, se seguirdes a rota que vos indicamos, não vos transviareis.

Tem-se-vos dito uma coisa muito verdadeira, que desejamos relembrar-vos: que o Espiritismo é simplesmente uma moral e que não deverá sair, nem muito, nem pouco, dos limites da filosofia, se não quiser cair no domínio da curiosidade.

Deixai de lado as questões de ciência: a missão dos Espíritos não é resolvê-las,poupando-vos ao trabalho das pesquisas; mas, procurai tornar-vos melhores, porquanto é assim que realmente progredireis.”

São Luís

Novamente recebemos ensinamento semelhante. A Ciência do Homem vem se desenvolvendo a passos largos nos últimos séculos, descortinando os mistérios da natureza, enquanto este mesmo Homem demonstra ser um verdadeiro ignorante quando confrontado com as provas da moralidade e da caridade. Ai está o objetivo das mensagens mediúnicas e do advento desta verdadeira  “invasão organizada dos espíritos” como tão bem observou Sir Arthur Conan Doyle: Acordar-nos para a construção da verdadeira felicidade, através da nossa transformação moral, pois estamos incompletos e por isso sofremos.

Apesar disso tudo que foi exposto aqui,  não significa em absoluto que nós Espíritas, que conhecemos sobre o lado essencial da vida, devamos isentar-nos de colaborar com o desenvolvimento da Ciência. Quadro inverso é o que esperam os nossos mestres desencarnados, precisamos estar na Academia e nos Centros de Pesquisa, estudando, publicando nossos trabalhos e debatendo com nossos companheiros ainda ligados ao paradigma materialista para que finalmente, como fruto do nosso trabalho, forme-se um corpo de evidências realmente irrefutável, virando a mesa da História e abrindo novos horizontes de conhecimento intelectual para a Humanidade.